terça-feira, 23 de novembro de 2010

Capacitação nas favelas

Por Nayara Rodrigues e Marcela Ferreira

Júlia de Assis é bolsista do Projeto Artesanato Solidário no Aglomerado da Serra (ASAS) desde julho de 2010 e estudante do curso de Design de Moda da Universidade FUMEC.

O projeto ASAS, coordenado pela professora Natacha Rena, surgiu em 2007 como atividade de extensão da Universidade FUMEC, com o objetivo de capacitar um grupo de alunos da Escola Municipal Padre Guilherme Peters. Hoje o ASAS é uma rede produtiva e possui três projetos de extensão em andamento.

Escreva Moda: Qual o objetivo do Projeto ASAS?
Júlia de Assis: O objetivo é capacitar pessoas de comunidades desfavorecidas, a trabalharem com artesanato ligado ao design, para produzir um produto de alto valor agregado, gerando assim renda para a comunidade.

EM: Qual a sua função no projeto?
JA: Minha função é de oficineira. Através de atividades que mesclam práticas e aulas expositivas, passamos um pouco do nosso conhecimento sobre design para os beneficiários, ao mesmo tempo que aprendemos com eles.

EM: Quais são os principais parceiros?
JA: A ONG Universidade Solidária (UNISOL) foi um grande parceiro do projeto durante dois anos, também temos parcerias com instituições que atuam na comunidade como o BH Cidadania, a ACES e o FICA VIVO. Também existem as parcerias de divulgação e venda dos produtos, como as lojas de design Grampo e QUINA.

EM: Qual a importância de prêmios como o 2º Prêmio Objeto Brasileiro?
JA: Incentivos de todos os tipos são essenciais para o bom andamento do projeto. Um prêmio valida todo o trabalho que foi feito em cima dos produtos e, consequentemente, o crescimento que envolve toda a comunidade. Muitas vezes é dificil para a comunidade enxergar o propósito das atividades, e qual o retorno que eles terão.

EM: Qual a importância do projeto para a comunidade?
JA: Além de todo o conhecimento prático, acontecem outras mudanças, muitas vezes sutis, que são importantes para a comunidade. Mudanças pequenas no cotidiano vão acontecendo ao longo do processo que geram uma melhoria de vida, seja ela física ou piscológica.

EM: Como são desenvolvidos os produtos?
JA: Os produtos são pensados a partir do ambiente da comunidade, através de uma reflexão sobre o cotidiano, sobre o que está a nossa volta, e como lidamos com isso. A partir daí encontramos um mundo de possibilidades e criatividade, que vão fazendo parte de cada produto.

EM: Como é feita a divulgação do projeto?
JA: Através de exposições, para o lançamento de cada coleção. Também temos um blog, onde é registrado o dia-a-dia das atividades.

EM: Onde encontrar os produtos produzidos pelo projeto?
JA: Os produtos são vendidos na loja Grampo e na Quina.

Da periferia ao museu

Projeto ASAS vence 2º Prêmio Objeto Brasileiro na categoria Ação Sócio-Ambiental
Por Nayara Rodrigues e Marcela Ferreira

Após duas fases de avaliação e análise de 398 objetos e projetos de 16 estados do país, “A Casa Museu do Objeto Brasileiro” divulgou, no último dia 20 de outubro, os vencedores do 2º Prêmio “Objeto Brasileiro”, no qual o Projeto ASAS foi vencedor da categoria Ação Sócio-Ambiental.

A cerimônia de premiação ocorreu juntamente com a inauguração da exposição que apresenta os objetos e projetos vencedores. Em cartaz até o dia 10 de dezembro, a exposição reúne os 31 trabalhos selecionados pelo júri coordenado por Christian Ullmann e composto por Baba Vacaro, Jum Nakao, Mara Gama e Renata Mendes.

O ASAS foi considerado pelo júri um projeto completo. Segundo o parecer feito pelos jurados do concurso, “os produtos são bem acabados, contam com uma identidade visual própria, etiquetas que conferem valor de marca e um catálogo que explora o contexto em que os produtos foram desenvolvidos”.

Parte do prêmio de 10 mil reais será empregada na compra de 3 máquinas de costura, projetor de slides e materiais de pequeno porte para a realização de oficinas e a outra parte será repassada para as Aglomeradas, grupo de sete artesãs, formado pelo projeto.

“A Casa Museu do Objeto Brasileiro” fica na rua Cunha Gago, 807, Pinheiros, São Paulo – SP.

Novo habitat para as grandes grifes

Anna  Luiza  Magalhães, Flávia Virgínia e Luiza Pacheco



E a moda das grandes grifes ganha novo espaço e novos consumidores. A partir de hoje, dia 23 de novembro, a H&M lança sua mais nova jogada de marketing, uma coleção com assinatura dos estilistas da Lanvin, parceria esta que tem deixado ansiosos aqueles que acompanham a marca. Como Alber Elbaz, diretor artístico da Lanvin, afirmou no site da H&M “Este esta sendo um ótimo exercício, onde duas companhias de pólos opostos trabalham juntas porque compartilham a mesma filosofia, de trazer diversão e beleza para homens e mulheres em torno do mundo.” 

Dia 2 de novembro a coleção foi divulgada no site da H&M, sendo possível visualizar as peças e acessórios que estão disponíveis na loja a partir de hoje. 

Junto com as imagens, a loja de departamento, divulgou também dois vídeos: um de divulgação das peças da coleção e outro com um depoimento de Alber Elbaz, confira abaixo: 

Vídeo H&M – Lanvin: 

Vídeo Entrevista com Alber Elbaz – Lanvin: 


No Brasil, duas lojas de fast fashion, Riachuelo e C&A, também investiram nesta mesma linha de parceria. Respectivamente, as parcerias foram feitas com Oscar Metsavaht, da Osklen e Maria Bonita Extra. 

"Uma moda que não chega às ruas não pode ser chamada de moda." Coco Chanel 

Fashion Rio 2010

Op Art em Forma de Estampa

 Estilistas como Marc Jacobs, Marni, Alexandre Herchcovitch, Issey Miyake, Tommy Hilfiger e Missoni trazem influências da Op Art para o Fashion Rio 2010. A Op Art é uma arte que emprega fenômenos ópticos com a finalidade de confundir os processos normais de percepção. É composta de padrões precisos pretos e brancos ou de justaposição de cores fortes. A arte op vibra, ofusca e oscila dando efeito de movimento. Em meados dos anos 60, a arte op surge como substituta da arte pop. Seus artistas aproximam-se do abstracionismo, levando até mesmo o nome de “abstracionistas perceptuais”.
O estilo cativou rapidamente a imaginação popular e invadiu o campo da moda, decoração e arte gráfica. Muitos artistas da arte op, como Bridget Rileysão Alexander Calder, Youri Messen-Jaschin e Victor Vassarely denominavam como uma “arte de brincadeira”, uma arte que trabalha a estética visual, deixando de lado as expressões. A op art vem da aura minimalista, fazendo alusão à idéia de distância. Geralmente é apresentada em telas grandes e passa a sensação de tontura. Mexe com formas geométricas, cores e luz.  
Diversos estilistas internacionais buscaram na op art dos anos 1960 a inspiração para suas estampas de verão 2011. Círculos, quadrados e triângulos apareceram em misturas de formas e cores, dando às peças um clima vintage. Marc Jacobs, Marni e Tommy Hilfiger foram alguns dos nomes que apostaram na tendência, além do brasileiro Alexandre Herchcovitch.
Segundo Isabela Rabelo, trazer para as passarelas um movimento tão importante como a op arte, agrega um valor inestimável às peças. A op arte coloriu e cedeu um ar de brincadeira aos desfiles de fashion rio 2010. As estampas além de darem vida, devido ao mix de cores também propõem um jogo óptico que, segundo a mesma, alegra a vida das pessoas ao olharem.

                                                               Marc Jacobs / Marni
                                                 Alexandre Herchcovitch / Issey Miyake
                                                          Tommy Hilfiger / Missoni

Nota

Emoções vividas no passado por Ronaldo Fraga

A exposição ‘Rio São Francisco navegado por Ronaldo Fraga’ é como um campo de interpretações que pode lançar luz, sobretudo à relação do indivíduo com seu corpo, com os objetos, com o mundo, e porque não dizer com o espírito do tempo. Na exposição do Ronaldo Fraga há dez ambientes com arte contemporânea, ilustrações, vídeos, instalações interativas e roupas. Pode-se observar que nas ilustrações expostas existe um conjunto de emoções vividas no passado do estilista. Uma das instalações mostra uma escultura com malas, camas e outros objetos que se remetem à vida dos moradores às margens do Rio São Francisco nas décadas de 40 e 50.


Isabela Rabelo – Núbia Souza

Pop Art nas Unhas

A Pop Art  sempre trouxe para a moda estampas gráficas, representação de pessoas famosas (idolatria ao Pop Star), a bandeira americana com um ar rock’n roll, as histórias em quadrinhos e as cores chapadas, que podem ser vistas em peças como o vestido Mondrian de Yves Saint Laurent, peças com logomarca (logomania). Inspirada nesse movimento a Risqué lança coleção POP 4 YOU em parceria com o estilista Reinaldo Lourenço trazendo oito diferentes tonalidades que vão dos clássicos aos mais modernos tons. A coleção tem como principal característica para a criação das cores e nomes, os elementos que marcaram a pop art como personalidades, expressões e movimentos artísticos.  

 

Democratização ou movimentação financeira da boa?

Anna Luiza Magalhães, Flávia Virgínia, Luiza Pacheco


Moda ao alcance de todos. Seria esse um possível bordão para o fenômeno das grifes famosas assinarem coleções em grandes magazines populares? Ou na verdade esse acontecimento se trata de uma estratégia comercial para que os negociantes articulem bons negócios, uma vez que o cenário de vendas internacional, principalmente na Europa está sofrendo uma espécie de crise? Nas últimas semanas todos os periódicos de moda só falavam em uma única coisa: nova coleção Lanvin para H&M. A todo o momento uma nova foto das peças de roupas vazava pela internet, um novo vídeo, uma nova matéria jornalística. Nesse caso estamos falando da grife de maior desejo de consumo e a fast fashion ou loja de departamento mais antenada do mundo da moda. Sendo estratégia ou não, o fato é que esse tipo de casamento perfeito já se tornou tendência global e no Brasil está cada vez mais freqüente. Haja vista a Osklen para Riachuelo, Maria Bonita Extra para C&A, enfim, o design de luxo tomando conta das araras mais populares com preços acessíveis. As opiniões são as mais diversas. Para os consumidores, principalmente aqueles que acompanham as grandes grifes, mas não pode comprar diretamente na loja, eis uma única oportunidade de aquisição. Democratização da moda é outra frase muito falada pelos críticos e jornalistas de moda. O que ainda não foi comentado é de uma possível desvalorização da marca em função da popularização da mesma, afinal não se consegue um vestido de seda, com um acabamento impecável por um custo irrisório, pelo menos não fora da China e isso é um fato. Portanto teríamos aí um decréscimo da qualidade original da marca, uma mera assinatura garantindo valor das peças ou realmente o mercado de mão de obra e matéria prima chinesa estaria entrando em cena como o terceiro elemento desse relacionamento? Bem, melhor deixar em aberto essa discussão político-fashion e aguardar a repercussão desse matrimônio de luxo.